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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

HAVERÁ GUETOS NO CÉU?

Desde que houve a grande “revolução”, feita por Martinho Lutero no século XVI, aumentou muito o número de denominações em todos os lugares do mundo. Séculos antes, o imperador Constantino acabou com a perseguição ao Cristianismo e outro, proclamou-a religião oficial do Império Romano. Ratificou esse decreto, estabelecendo-o de vez.
Depois de Martinho Lutero, cresceram muito as denominações. Umas acreditando que o poder de Deus, demonstrado nos dias dos apóstolos, ainda predominava nos dias de hoje, outros, acham o contrário. Sendo o maior expoente do pentecostalismo, a Assembléia de Deus tem crescido muito nesses noventa anos. Enquanto as igrejas históricas, como a Batista, Presbiteriana, Congregacional, e a própria luterana, zombam desses “fanáticos”, como as igrejas históricas chamam os pentecostais, os pentecostais também acham que as outras erram não acreditando nessas doutrinas.
A grande rivalidade dos batistas com os assembleianos começou quando Daniel Berg e Gunnar Vingren começaram a pregar o evangelho pentecostal por aqui. Discordando firmemente desses pregadores, o pastor batista que hospedou os irmãos foi castigado por Deus, por se opor à sua obra. Até hoje as duas denominações não se bicam. Os batistas zombam dos assembleianos, imitando as línguas estranhas faladas por estes-quem quiser comprovar o que digo pergunte a quem estudou ou estuda no Seminário Batista– enquanto os assembleianos chamam os batistas de crus. Essa briga já vem de muito longe. Tem sido muito difícil unir os dois irmãos. São como Esaú e Jacó, tendo o mesmo pai, mas terrivelmente inimigos.
No livro de Efésios Paulo diz que “há uma só fé, um só senhor, e um só batismo”; porém o que se vê são irmãos se odiando e não aceitando as doutrinas pregadas por eles. Até hoje os assembleianos são proibidos de irem aos cultos dos irmãos das igrejas históricas. Embora oficialmente neguem, na prática é o que acontece. Que digam os irmãos mais antigos. Há quatro anos ou mais, era até permitido corais de ambas as igrejas se visitarem, mas hoje em dia, isso tornou-se impossível. É uma pena, pois esta prática estava servindo para unir os dois ramos. Nisso também iria entrar as outras, unindo todas, não numa só, mas pelo menos seriam mais unidos e não haveria tanta descriminação.
Fico pensando quando chegarem no céu (duvido muito que subam desse jeito), como será. Haverá no céu os Guetos, como houve na segunda Grande Guerra? Os judeus, todos sabem, viviam em bairros separados -nos guetos-que seriam para manter eles longe da raça “ariana”. Assim mesmo seria no céu, se pudessem manter assim. Haveria o bairro dos batistas, dos presbiterianos, dos congregacionais, etc. O céu seria então uma zona de guerra, com as igrejas lutando entre si para terem a atenção de Deus. Mas essa é uma hipótese tremendamente absurda. Creio que Deus não planejou isso, apenas permitiu, como Ele permitiu que na época do Antigo Testamento permitia que pudessem os homens terem várias mulheres. Jesus disse que isso era por causa “da dureza do coração do homem.” Mas não foi Deus quem planejou assim, no princípio. Da mesma forma creio que Ele não planejou haver tantas denominações evangélicas, mas permitiu que houvesse isso.
Há pastores que dizem que esse grande número de denominações é por causa da pluralidade de pensamentos e doutrinas. Eu vejo apenas como um grande defeito do homem. Temos tudo para sermos muito mais unidos, mas não é isso que acontece. Parece que existe três deuses, e não um só Deus. Nunca vi um povo de um mesmo Deus serem tão desunidos. É uma incoerência isso, das mais absurdas.
Ao longo dessa minha vida de cristão, tenho visto muitas coisas que têm agravado ainda mais essa desunião. Por exemplo, se um irmão da Assembléia vir um da batista, de camiseta, não lhes dá a paz, mas fazem um muxoxo,virando-lhe o rosto. É claro que não é todos que agem assim. Eu mesmo sempre fui contra isso; nunca apoiei essa prática. Tenho visto muitos se ufanarem por serem de tal e tal igreja, como se o fato de fazerem parte dela fosse a salvação deles. Não precisa nem dizer que isso é antibíblico. Cristo é a nossa salvação,e não outra coisa.
Eu tenho para mim que antes de Cristo vir buscar Seu povo haverá uma grande manifestação de Seu poder, vindo depois disso uma grande perseguição, que unirá todas as denominações evangélicas. Elas vão se juntar parecendo ser uma só. Vão esquecer doutrinas divergentes, vão sumir com essa ufanação de hoje em dia vigente. Vão subir como um povo só, com uma fé só, com um só Senhor. 

Nos países onde há perseguição, como na China e Cuba, os crente são mais unidos, se entendem mais. Pois eles vêem que estão sendo perseguidos por um inimigo comum: o diabo, o perturbador do povo de Deus, que o acusava de dia e de noite. Assim, penso que essa perseguição vai provar os que não são verdadeiros crentes; quem não for, não vai aguentar a pressão, negará logo o Nome de Jesus. Eu creio que será assim.
Com certeza haverá quem discorde de minha teoria. Se puderem me mostrar que estou errado, agradeço. O fato de Deus permitir uma coisa, não quer dizer que isso seja a vontade Dele, como falei acima. Eu tenho vergonha quando um não-crente me diz que fica confuso com tantas igrejas evangélicas. Isso me constrange. Eu fico sem saber explicar direito. Digo que isso remonta a Martinho Lutero, mas ele nem sempre entende. A única explicação plausível é essa. Nós deveríamos ser mais unidos. Mas se não somos, paciência, só Deus pode fazer com que isso acabe. Mas alguém pode dizer que, se Ele permitiu até agora as igrejas continuarem com essa divisão, é por que é a vontade Dele. Nem sempre é assim. Ele permitiu que o povo fosse escravo durante quatrocentos e trinta anos (Êxodo 1), não foi por que Deus não se importava com essa escravidão, tanto que Ele enviou Moisés para os libertar, como nós sabemos que foram libertos.
Quando vejo duas igrejas irmãs brigando (Abreu e Lima e Recife), fico muito decepcionado, não pelo fato de não ter maturidade para suportar isso, mas pelo fato do escândalo que essas coisas provocam no povo de Deus e nos incrédulos. Gostaria muito que eles se unissem de novo, como eram unidos antes do cisma. Li uma edição histórica do Mensageiro da Paz, onde há muitas fotos dos pioneiros. Numa delas, há a foto de Isaque Martins junto com os irmãos da igreja recifense e alguns missionários suecos, como o próprio Joel Carlson, pioneiro em Pernambuco. Há também a foto dos saudosos José Amaro, que não é do meu tempo, mas que é até hoje muito falado pelos irmãos mais antigos. Que bênção! Havia, ali, muito mais amor do que hoje. Eu duvido muito que os pioneiros Joel Carlson, Daniel Berg e Gunnar Vingren ficariam alegres com isso. Acho que eles teriam muita vergonha e lutariam contra essa desunião.
Eu sonho com o dia que essas duas igrejas se unam de novo, mostrando à sociedade que nós não somos um povo desunido, mas exemplo de amor e vivemos disseminando o amor de Deus. Às vezes encontro algum irmão de Abreu e Lima e converso com eles. Então me dizem que também não gostam dessa briga. Questionado então a razão de tais brigas, dizem-me que não é por causa do crescimento do Reino de Deus, mas sim por um outro motivo muito diferente, dizem eles. Será verdade? Se for, estão desviados do verdadeiro cristianismo, disseminados por Cristo e seus apóstolos. A preocupação devia ser para o crescimento do Evangelho, trabalhando irmanados no amor de Deus. O fato é que falamos tanto em amor, em união, mas nós mesmos vivemos em guerra. Não conseguimos nem nos entender entre nós mesmos. Não é uma incoerência terrível? É sim.
Jamais terei raiva de ninguém da igreja Batista,nem de qualquer igreja histórica ou as mais novas. Se pregarem o evangelho genuíno, são meus irmãos. Se não, também não viverei odiando eles, mas orarei para que a luz de Cristo os inunde também. Não é assim que tem de ser? Assim é o que prega a palavra de Deus. Se os batistas zombam das nossas línguas estranhas, isso é com eles e Deus, somente. Não cabe a eu revidar nem me vingar, zombando deles também. Vou procura ser o mais espiritual possível, pois do contrário, estarei sendo um tremendo crente carnal.

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